A IRENE GARCÍA
(criada)
En el soto,
los alamillos bailan
uno con otro.
Y el arbolé,
con sus cuatro hojitas
baila también.
Irene!
Luego vendrán las lluvias
y las nieves.
Baila sobre lo verde.
Sobre lo verde verde,
que te acompaño yo.
Ay cómo correr el agua!
Ay mi corazón!
En el soto,
los alamillos bailan
uno con otro.
Y el arbolé,
con sus cuatro hojitas
baila también.
Federico García Lorca, Juegos
segunda-feira, abril 28, 2008
segunda-feira, abril 07, 2008

Como queda en la tarde que termina
convertido en espera de babrbecho
el cereal rastrojo barbihecho,
hecho una pura llaga campesina,
hecho una pura llaga campesina,
así me quedo yo solo y maltrecho
con un arado urgente junto al pecho,
que hurgando en mis entrañas me asesina.
Así me quedo yo cuando el ocaso,
escogiendo la luz, el aire amansa
y todo lo avalora y lo serena:
perfil de tierra sobre el cielo raso.
donde un arado en paz fuera descansa
dando hacia dentro un aguijón de pena.
Miguel Hernández, El silbo vulnerado (1934) y Atardecer3 - Sunset, Foto de Ángel Durán
domingo, março 30, 2008
Lluviosos ojos que lluviosamente
me hacéis penas: lluviosas soledades,
balcones de las rudas tempestades
que hay en mi corazón adolescente.
Corazón cada día más frecuente
en para idolatrar criar ciudades
de amor que caen de todas mis edades
babilónicamente y fatalmente.
Mi corazón, mis ojos sin consuelo,
metrópolis de atmósfera sombría
gastadas por un río lacrimoso.
Ojos de ver y no gozar el cielo,
corazón de naranja cada día,
si más envejecido, más sabroso.
Miguel Hernández, El Rayo que no Cesa
me hacéis penas: lluviosas soledades,
balcones de las rudas tempestades
que hay en mi corazón adolescente.
Corazón cada día más frecuente
en para idolatrar criar ciudades
de amor que caen de todas mis edades
babilónicamente y fatalmente.
Mi corazón, mis ojos sin consuelo,
metrópolis de atmósfera sombría
gastadas por un río lacrimoso.
Ojos de ver y no gozar el cielo,
corazón de naranja cada día,
si más envejecido, más sabroso.
Miguel Hernández, El Rayo que no Cesa
quinta-feira, março 27, 2008
segunda-feira, março 24, 2008

VAGA, no azul amplo solta,
Vai uma nuvem errando.
O meu passado não volta.
Não é o que estou chorando.
O que choro é diferente.
Entra mais na alma da alma.
Mas como, no céu sem gente,
A nuvem flutua calma,
E isto lembra uma tristeza
E a lembrança é que entristece,
Dou à saudade a riqueza
De emoção que a hora tece.
Mas, em verdade, o que chora
Na minha amarga ansiedade
Mais alto que a nuvem mora,
Está para além da saudade.
Não sei o que é nem consinto
À alma que o saiba bem
Visto da dor com que minto
Dor que a minha alma tem.
Fernando Pessoa, Poesias y Cloud, Foto de Ángel Durán

RIO
Volto a falar de ti, minha cidade,
com esta paixão cansada, em teimosia
de amar - te, de te amar a cada dia
e achar em cada canto uma saudade.
Cidade perfumada em maresia,
de contra - alísio no final do dia,
da paisagem que me encanta e me domina.
Não fossem os homens ambição, vaidade,
veriam sempre sobre esta cidade
a bênção da beleza que ilumina.
Marcia Agrau, Sob o Signo da Lua, Rio de Janeiro, Editorial Taurus, 1995.
domingo, março 23, 2008

AQUI na orla da praia, mudo e contente do mar,
Sem nada já que me atraia, nem nada que desejar,
Farei um sonho, terei meu dia, fecharei a vida,
E nunca terei agonia, pois dormirei de seguida.
A vida é como uma sombra que passa por sobre um rio
Ou como um passao na alfombra de um quarto que jaz vazio;
O amor é um sono que chega para o pouco ser que se é;
A glória concede e nega, não tem verdades a fé.
Por isso na orla morena da praia calada e só,
Tenho a alma feita pequena, livre de mágoa e de dó;
Sonho sem quase já ser, perco sem nunca ter tido,
E comecei a morrer muito antes de ter vivido.
Dêem - me, onde aqui jazo, só uma brisa que passe,
Não quero nada do acaso, senão a brisa na face;
Dêem - me um vago amor de quanto nunca terei,
Não quero gozo nem dor, não vida nem lei.
Só, no silêncio cercado pelo som brusco do mar,
Quero dormir sossegado, sem nada que desejar,
Quero dormir na distância de um ser que nunca foi seu,
Tocado do ar sem fragância da brisa de qualquer céu.
Fernando Pessoa, Poesias y Playa de Lapa [Galicia], Foto de Ángel Durán

FALA DO QUE FALEI
Vem de dentro de mim,
da chama oculta.
Não sei se brota, enfim,
da minha culpa,
não sei se escrevo, assim,
numa desculpa,
não sei do racional,
se passo ao largo.
Só sei que nasce aqui,
numa atitude.
Só sei que é por aqui
que posso e pude.
Só sei que é desse jeito
e sem embargo.
Marcia Agrau, Sob o Sigo da Lua, Rio de Janeiro, Editorial Taurus, 1995.
Vem de dentro de mim,
da chama oculta.
Não sei se brota, enfim,
da minha culpa,
não sei se escrevo, assim,
numa desculpa,
não sei do racional,
se passo ao largo.
Só sei que nasce aqui,
numa atitude.
Só sei que é por aqui
que posso e pude.
Só sei que é desse jeito
e sem embargo.
Marcia Agrau, Sob o Sigo da Lua, Rio de Janeiro, Editorial Taurus, 1995.
sábado, março 22, 2008

APENAS ISSO
Eternidade.
Palavra feita da louca pretensão
de ser maior do que a fugacidade
do pouso rápido do homem cá na Terra.
Do que os micro passos leves que caminha
com os pés pequenos que, ingênuo, enterra
tentando vestigiar sua passagem,
tentando fixar sua imagem,
imortalizar sua mensagem
inutilmente.
Que a fúria dos tempos, em reverso,
não leva em conta
e nem aninha.
E, disciplicentemente,
deste ser pequenino, sem importância,
não pode ver a incontida ânsia.
Que a fúria dos tempos é impessoal e tonta.
Cega a todas as artes, cega ao verso,
aos nomes, aos homens.
Que são apenas
umam cor diversa
de poeira cósmica e cármica
nos recantos escuros do universo.
Marcia Agrau, Sob o Signo da Lua, Rio de Janeiro, Editora Taurus, 1995.
Eternidade.
Palavra feita da louca pretensão
de ser maior do que a fugacidade
do pouso rápido do homem cá na Terra.
Do que os micro passos leves que caminha
com os pés pequenos que, ingênuo, enterra
tentando vestigiar sua passagem,
tentando fixar sua imagem,
imortalizar sua mensagem
inutilmente.
Que a fúria dos tempos, em reverso,
não leva em conta
e nem aninha.
E, disciplicentemente,
deste ser pequenino, sem importância,
não pode ver a incontida ânsia.
Que a fúria dos tempos é impessoal e tonta.
Cega a todas as artes, cega ao verso,
aos nomes, aos homens.
Que são apenas
umam cor diversa
de poeira cósmica e cármica
nos recantos escuros do universo.
Marcia Agrau, Sob o Signo da Lua, Rio de Janeiro, Editora Taurus, 1995.
sexta-feira, março 21, 2008

SORRISO audível das folhas,
Não és mais que a brisa ali.
Se eu te olho e tu me olhas,
Quem primeiro é que sorri?
O primeiro a sorrir ri.
Ri, e não olha de repente,
Para fins de não olhar,
Para onde nas folhas sente
O som do vento passar.
Tudo é vento e disfarçar.
Mas o olhar. de estar olhando
Onde não olha, voltou;
E estamos os dois falando
O que se não conversou.
Isto acaba ou começou?
Fernando Pessoa, Poesias y Fall#1, Foto de Ángel Durán

HIPÓTESE
Penso que penso
e, por isso,
penso
que existo.
Teimo em pensar
e nesse pensamento insisto.
Ah, filósofos!
Quem vos garante
-que essa base é fraca-
quem nos garante
a certeza de existir?
Podemos ser apenas pensamentos,
uns sonhos vagos perdidos pelo espaço
pedindo o merecimento de surgir,
brotar em vida real, concretizada,
podemos ser apenas mais um passo
de um pensamento maior,
de Deus pedaço,
dos tropeços, tentando evoluir...
Marcia Agrau, Sob o Signo da Lua, Rio de Janeiro, Taurus, 1995.
quinta-feira, março 20, 2008

GATO que brincas na rua
Como se fosse na cama,
Invejo a sorte que é tua
Porque nem sorte se chama.
Bom servo das leis fatais
Que regem pedras e gentes,
Que tens instintos gerais
E sentes só o que sentes.
És feliz porque és assim,
Todo o nada que és é teu.
Eu vejo - me e estou sem mim,
Conheço - me e não sou eu.
Fernando Pessoa, Poesias y Foto de Ángel Durán
quarta-feira, março 19, 2008

CONTEMPLO o lago mudo
Que uma brisa estremece.
Não sei se penso em tudo
Ou se tudo me esquece.
O lago nada me diz,
Não sinto a brisa mexê - lo.
Não sei se dou feliz
Nem se desejo sê - lo.
Trémulos víncos risonhos
Na água adormecida.
Por que fiz eu dos sonhos
A minha única vida?
Fernando Pessoa, Poesias y Charca de Monje, Foto de Ángel Durán
segunda-feira, março 17, 2008

Sol nulo dos dias de vãos,
Cheios de lida e de calma,
Aquece ao menos as mãos
A quem não entras na alma!
Que ao menos a mão, roçando
A mão que por ela passe,
Com externoo calor brando
O frio da alma disfarce!
Senhor, já que a dor é nossa
E a fraqueza que ela tem,
Dá - nos ao menos a força
De a não mostrar a ninguém!
Fernando Pessoa, Poesias y Resignación?, Foto de Ángel Durán
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