segunda-feira, novembro 19, 2007

EL POETA LLEGA A LA HABANA
SÓN DE NEGROS EN CUBA
Cuando llegue la luna llena iré a Santiago de
Cuba,
iré a Santiago,
en un coche de agua negra.
Iré a Santiago.
Cantarán los techos de palmera.
Iré a Santiago.
Cuando la palma quiere ser cigueña,
iré a Santiago.
Y cuando quiere ser medusa el plátano,
iré a Santiago.
Iré a Santiago
con la rubia cabeza de Fonseca.
Iré a Santiago
Y con la rosa de Romeo y Julietairé a Santiago.
Oh Cuba! Oh ritmo de semillas secas!
Iré a Santiago.
Oh cintura caliente y gota de madera!
Iré a Santiago.
Arpa de troncos vivos. Caimán. Flor de tabaco.
Iré a Santiago.
Siempre he dicho que yo iría a Santiago
en un cohe de agua negra.
Iré a Santiago.
Brisa y alcohol en las ruedas,
iré a Santiago.
Mi coral en la tiniebla,
iré a Santiago.
El mar ahogado en la arena,
iré a Santiago.
Color blanco, fruta muerta,
iré a Santiago.
Oh bovino frecsor de cañaveras!
Oh Cuba! Oh curva de suspiro y barro!
Iré a Santiago.
Federico García Lorca, Poeta en Nueva York (1929 - 1930)
domingo, novembro 18, 2007

HUYDA DE NUEVA YORK
Un vals hacía la civilización
Vals en Ramas
Cayó una hoja
y dos
y tres.
Por una luna nadaba un pez.
El agua duerme una hora
y el mar blanco duerme cien.
La dama
estaba muerta en la rama.
La monja
cantaba dentro de la toranja.
La niña
iba por el pino a la piña.
Y el pino
buscaba la plumilla del trino.
Pero el ruiseñor
lloraba sus heridas alrededor.
Y yo también
porque cayó una hoja
y dos
y tres.
Y una cabeza de cristal
y un violín de papel
y la nieve podría con el mundo
una a una
dos a dos
y tres a tres.
Oh, duro marfil de carnes invisibles!
Oh, golfo sin hormigas del amanecer!
Con el numen de las ramas,
con el ay de las damas,
con el croo de las ranas,
y el geo amarillo de la miel.
Llegará un torso de sombra
coronado de laurel.
Será el cielo para el viento
duro como una pared
y las ramas desgajadas
se irán bailando con él.
Una a una
alrededor de la luna,
dos a dos
alrededor del sol,
y tres a tres
para que los marfiles se duerman bien.
Federico García Lorca, Poeta en Nueva York (1929 - 1930)
sábado, novembro 17, 2007

Passa uma borboleta por diante de mim
E pela primeira vez no universo eu reparo
Que as borboletas não têm cor nem movimento,
Assim como as flores não têm perfume nem cor.
A cor é que tem cor nas asas da borboleta,
No movimento da borboleta o movimento é que se move,
O perfume é que tem perfume no perfume da flor.
A borboleta é apenas borboleta
E a flor é apenas flor.
Alberto Caeiro, Ficções do Interlúdio y San Martin de Trevejo - Nacarada, Foto de Ángel Durán
sexta-feira, novembro 16, 2007

AR LIVRE
Enquanto os elefantes pela floresta galopam
no fumo do seu peso,
perto, lá andava ela nua a cavalgar o antílope,
com uma asa direita outra caída.
E a amazona seguia...
e deixava a boca no sumo das laranjas.
Os olhos verdes no mar.
O corpo em a nuvem das alturas
- a guardadora
da sempre nova faísca de incendiária!
Edmundo Bettencourt (1899 - 1973), Poemas Surdos
quinta-feira, novembro 15, 2007
- O lobo das estepes -(Hermann Hesse)
a neve cobre o mundo,
da bétula levanta voo o corvo,
mas nunca aparece uma lebre, nunca aparece um cervo.
E como eu amo os cervos!
Se acaso encontrasse algum,
prendia - o com garras e dentes:
é a coisa mais bela em que penso.
Com os sensíveis seria também sensível,
devorava - os todos de extremo a extremo,
bebia - lhes até ao fundo o sangue púrpura e espesso,
e solitariamente uivava pela noite dentro.
Contentava - me com uma lebre.
É tão doce à noiteo sabor da sua carne quente.
Porventura foi - me negado tudo quanto possa, um pouco,
alegrar a vida, um pouco apenas?
A minha companheira, há muito que não a tenho,
o pêlo da minha cauda começa a ficar cor de cinza,
e só quando há bastante luz é que vejo.
Agora corro e sonho com cervos,
ouço o vento soprar nas grandes noites de inverno,
e a minha alma dolorosa, entrego - a eu ao demónio.
Doze Nós numa Corda
(poemas traduzidos para português por Herberto Herder)
terça-feira, novembro 13, 2007

Diz à Primavera:
estende as nuvens do teu manto
e abre os teus véus
sobre os lugares onde brinquei
na minha infância.
não me desiludas, Primavera
as minhas lágrimas vão no teu encalço
em longas vagas.
mistura o perfume da minha saudade
a humidade das nuvens
para aspergires aqueles a quem amo.
debruça - te sobre Córdova e estreita - a
como eu a estreitaria contra o peito
depois,
sobre os vales e colinas que são seus
espalha flores
que anunciarão através de ti
que lhe mando a mensagem.
Ibn' Darraj Al - Qastalli (958 - 103o), O meu coração é árabe (tradução de Adalberto Alves) y
Almendruqueiru, Foto de Ángel Durán
sábado, novembro 10, 2007
sexta-feira, novembro 09, 2007

Meto - me para dentro, e fecho a janela.
Trazem o candeeiro e dão as boas - noites,
E a minha voz contente dá as boas - noites.
Oxalá a minha vida seja sempre isto:
O dia cheio de sol, ou suave de chuva,
Ou tempestuoso como se acabasse o mundo,
A tarde suave e os ranchos que passam
Fitados com interesse da janela,
O último olhar amigo dado ao sossego das árvores,
E depois, fechada a janela, o candeeiro aceso,
Sem ler nada, nem pensar em nada, nem dormir,
Sentir a vida correr por mim como um rio por seu leito,
E lá fora um grande silêncio como um deus que dorme.
Alberto Caeiro, Ficções do Interlúdio y Febrero, Foto de Ángel Durán
quinta-feira, novembro 08, 2007

-Canto de Nosso Senhor o Esfolado-
(Astecas)
Tu, bebedor nocturno
enverga as vestes de ouro,
tuas vestes de ouro e chuvas!
Escorreu, ó deus, a água de pedras preciosas.
O cipreste alto transmudou - se em quetzal;
em serpente de quetzal se transmudou a serpente de fogo;
libertou - me, a serpente de fogo.
Talvez eu me vá embora, talvez vá, talvez vá embora para me queimar,
eu, a doce planta de milho.
O meu coração é uma preciosa pedra verde,
mas o ouro, ainda o verei dentro dela, ainda verei o ouro.
Quando o meu coração amadurecer,
em júbilo, quando o coração ficar maduro.
Meu deus, faz fremir os pés de milho dentro da terra,
faz crescer os pés de milho.
Fixarei os olhos no cimo da montanha de esmeralda,
em júbilo, os olhos no cimada montanha,
e há - de nascer o senhor da guerra quando o ouro ficar maduro.
Poemas Ameríndios
(Poemas mudados para português por Herbero Helder) y
Noviembre, Foto de Ángel Durán

Sou um guardador de rebanhos.
O rebanho é os meus pensamentos
E os meus pensamentos são todos sensações.
Penso com os olhos e com os ouvidos
E com as mãos e os pés
E com o nariz e a boca.
Pensar uma flor é vê - la e cheirá - la
E comer um fruto é saber - lhe o sentido.
Por isso quando num dia de calor
Me sinto triste de gozá - lo tanto,
E me deito a comprido na erva,
E fecho os olhos quentes,
Sinto todo o meu corpo deitado na realidade,
Sei a verdade e sou feliz.
Alberto Caeiro, Ficções de Interlúdio
Estápias, Foto de Ángel Durán
quarta-feira, novembro 07, 2007

El rojo sol de un sueño en el Oriente asoma.
Luz en sueños. No tiembles, andante peregrino?
Pasado el llano verde, em la florida loma,
acaso está el cercano final de tu camino.
Tú no verás del trigo la espiga sazonada
y de macizas pomas cargando el manzanar,
ni de la vid rugosa la uva aurirrosada
Cuando el primer aroma exhalen los jazmines
y cuando más palpiten las rosas del amor,
una mañana de oro que alumbre los jardines,
no huirá, como una nube dispersa, el sueño en flor?
Campo recién florida y verde, quién pudiera
sonãr aún largo en esas pequeñitas
corolas azuladas que manchan la pradera,
y en esas diminutas primeras margaritas!
Antonio Machado y Foto de Ángel Durán
terça-feira, novembro 06, 2007

BALADILLA DE LOS TRES RÍOS
El río Guadalquivir
va entre naranjos y olivos.
Los dos ríos de Granada
bajan de la nieve al trigo.
Ay, amor
que se fue y no vino!
El río Guadalquivir
tiene las barbas granates.
Los dos ríos de Granada,
uno llanto y otro sangue.
Ay, amor
que se fue por el aire!
Para los barcos de vela
Sevilla tiene un camino;
por el agua de Granada
sólo reman los suspiros.
Ay, amor
que se fue y no vino!
Guadalquivir, alta torre
y viento en los naranjales.
Dauro y Genil, torrecillas
muertas sobre las estanques.
Ay, amor
que se fue por el aire!
Quién dirá que el agua lleva
un fuego fatua de gritos!
Ay, amor
que se fue y no vino!
Lleva azahar, lleva olivas,
Andalucía, a tua mares.
Ay, amor
que se fue por el aire!
Federico García Lorca, Poema del Cante Jondo (1921 - 1922)
segunda-feira, novembro 05, 2007

Inscrição para a cabana do eremita de Tsuei
O caminho dos simples coberto de musgo vermelho
A janela na montanha abrindo para o azul
Invejo - te o vinho que bebes entre as flores
e todas essas borboletas que voam nos teus sonhos.
Tsieu Ki, China (Século VIII D.C), O vinho e as rosas
San Martin de Trevejo - A tranquiliai dun sitiu, Foto de Ángel Durán
domingo, novembro 04, 2007

O GATO
Lindo gato, vem cá, vem ao meu colo;
Encolhe as unhas dessa pata,
E deixa que eu mergulhe nos teus olhos,
Um misto de metal e ágata.
Quando os meus dedos, à vontade, afagam
O dorso elástico, a cabeça,
E a mão se me inebria de prazer
No corpo eléctrico, a apalpá - lo,
Vejo a minha mulher. O seu olhar,
Tal como o teu, querido animal,
Frio e profundo, dende - nos qual dardo,
E da cabeça até aos pés
Um ar subtil, um perfume rigoroso
Nadam em torno do seu corpo.
Charles Baudelaire (1821 - 1867), As Flores do mal (tradução de Fernando Pinto do Amaral)
Foto de Ángel Durán

Às vezes tenho ideias, felizes,
Ideias sùbitamente felizes, em ideias
E nas palavras em que naturalmente se despegam....
Depois de escrever, leio...
Porque escrevi isto?
Onde fui buscar isto?
De onde me veio isto? Isto é melhor do que eu...
Seremos nós neste mundo apenas canetas com tinta
Com que alguém escreve a valer o que nós aqui traçamos?...
Álvaro de Campos, Poemas
quinta-feira, novembro 01, 2007

El rojo sol de un sueño en el Oriente asoma.
Luz en sueños. No tiemblas, andante peregrino?
Pasado el llano verde, en la florida loma,
acaso está el cercano final de tu camino.
Tú no verá del trigo la espiga sazonada
y de macizas pomas cargando el manzanar,
ni de la vid rugosa la uva aurirrosada
ha de exprimir su alegre licor en tu lagar.
Cuando el primer aroma exhalen los jazmines
y cuando más palpiten las rosas del amor,
una mañana de oro que alumbre los jardines,
no huirá, como una nube dispersa, el sueño en flor?
Campo recién florido y verde, quién pudiera
soñar aún largo tiempo en esas pequeñitas
corolas azuladas que manchan la pradera,
y en esas disminutas primeras margaritas!
António Machado
Luz en sueños. No tiemblas, andante peregrino?
Pasado el llano verde, en la florida loma,
acaso está el cercano final de tu camino.
Tú no verá del trigo la espiga sazonada
y de macizas pomas cargando el manzanar,
ni de la vid rugosa la uva aurirrosada
ha de exprimir su alegre licor en tu lagar.
Cuando el primer aroma exhalen los jazmines
y cuando más palpiten las rosas del amor,
una mañana de oro que alumbre los jardines,
no huirá, como una nube dispersa, el sueño en flor?
Campo recién florido y verde, quién pudiera
soñar aún largo tiempo en esas pequeñitas
corolas azuladas que manchan la pradera,
y en esas disminutas primeras margaritas!
António Machado
Xálima, Foto de Ángel Durán
terça-feira, outubro 30, 2007

ÁRBOL DE CANCIÓN
Caña de voz y gesto,
una vez y otra vez
una vez y otra vez
tiembla sin esperanza
en el aire de ayer.
La niña suspirando
lo quería coger;
pero llegaba siempre
un minuto después.
Ay sol! Ay luna, luna!
un minuto después.
Sesenta flores grises
enredaban sus pies.
Mira cómo se mece
una vez y otra vez,
virgen de flor y rama,
en el aire de ayer.
Federico García Lorca, Canciones (1921 - 1924)
Cilleros 4, Foto de Ángel Durán
domingo, outubro 28, 2007

CANCIÓN DEL JINETE (1860)
En la luna negra
de los bandoleros,
cantan sus espuelas.
Caballito negro.
Dónde llevas tu jinete muerto?
...Las duras espuelas
del bandido inmóvil
que perdió las riendas.
Caballito frío.
Qué perfume de flor de cuchillo!
En la luna negra,
sangraba el costado
de Sierra Morena.
Caballito negro.
Dónde llevas tu jinete muerto?
La noche espolea
sus negros ijares
clavándole estrellas.
Caballito frío.
Qué perfume de flor de cuchillo!
En la luna negra,
un grito! y el cuerno
largo de la hoguera.
Caballito negro.
Dónde llevas ti jinete muerto?
Federico García Lorca, Andaluzas

En la desnuda tierra del camino
la hora florida brota,espino solitario,
del valle humilde en la revuelta umbrosa.
El salmo verdadero
de tenue voz hoy torna
al corazón, y al labio,
la palabra quebrada y temblorosa.
Mis viejos mares duermen; se apagaron
sus espumas sonoras
sobre la playa estéril. La tormenta
camina lejos en la nube torva.
Vuelve la paz al cielo;
la brisa tutelar esparce aromas
otra vez sobre el campo, y aparece,
en la bendita soledad, tu sombra.
Antonio Machado
Pradera de Cilleros, Foto de Ángel Durán
sábado, outubro 27, 2007

"Eu só uso o melhor. Os blocos para a cobertura são ligeiramente maiores do que tijolos para a construção, uma caixa de cada qualidade a cada entrega, e eu uso os três tipos: preto, de leite e branco. Tem de ser preparado para ficar no seu estado cristalino, produzindo uma superfície dura e estaladiça com um bom brilho. Alguns confeteiros compram os seus prodtos já preparados, mas eu gosto de os preparar eu mesma. Existe un infinito fascínio em manusear blocos baços de cobertura em bruto, raspá - los à mão - nunca uso misturas eléctricas - para grandes tachos de cerâmica, depois de derreter, mexer, testarcada passo meticuloso com o termómetro do açúcar até que uma dose suficiente de calor tenha sido aplicada para operar a mudança. Existe uma espécie de alquimia na transformação do chocolate em bruto neste ouro de um louco sábio, a magia de um leigo que até a minha mãe poderia apreciar. Ao trabalhar, limpo a mente, respirando fundo. As janelas esão abertas e a corrente de ar seria fria se não fosse o calor do fogão, os tachos de cobre, o vapor que se evola da cobertura a derreter. Os aromas cruzados de chocolate, baunilha, cobre aquecido e canela são intoxicantes, poderosamente sugestivos, os aromas brutos e telúricos das Américas, o perfume quente e resinoso da floresta tropical. Eis como agora viajo, como as aztecas nos seus rituais sagrados: México, Venezuela, Colômbia. A corte de Montezuma. Cortez e Colombo. O Manjar dos Deuses, borbulhando e espumando em taças cerimoniais. O amargo elixir da vida.
Talvez seja isto que Reynaud intui na minha lojinha: um regresso a tempos em que o mundo era um lugar mais vasto e selvagem. Antes de Cristo - antes de Adónis nascer em Belém ou Osíris ser sacrificado na Páscoa - , o grão de cacau já era venerado. Eram - lhe atribuídas qualidades mágicas. A sua infusão era uam bebida em golinhos nos degraus de tempos sacrificiais; os seus êxtases eram poderosos e terríveis. Será isto que ele teme? A corrupção pelo prazer, a subtil transubstanciação da carne numa taça para o vício? Para ele, nada de orgias sos sacerdotes aztecas. E contudo, por entre os vapores de choclate a derreter, algo começa a ganhar forma - uma visão, diria a minha mãe -, um dedo esfumado de percepção apontando...apontando..."
In, Joanne Harris, Chocolate, 17ª edição. Porto, Asa Editores S.A., 2003, pp. 53 - 54.

CANCIÓN DEL JINETE
Córdoba.
Lejana y sola.
Jaca negra, luna grande,
y aceitunas en mi alforja.
Aunque sepa los caminos
yo nunca llegaré a Córdoba.
Por el llano, por el viento,
jaca negra, luna roja.
La muerte me está mirando
desde las torres de Córdoba.
Ay qué camino tan largo!
Ay mi jaca valerosa!
Ay que la muerte me espera,
antes de llegar a Córdoba!
Córdoba.
Lejana y sola.
Federico García Lorca, Canciones (1921 - 1924)


DOS BALADAS AMARILLAS
1
En lo alto de aquel monte
hay un arbolillo verde.
Pastor que vas,
pastor que vienes.
Olivares soñolientos
bajan al llano caliente.
Pastor que vas,
pastor que vienes.
No ovejas blancas ni perro
ni cayado ni amor tienes.
Pastor que vas.
Como una sombra de oro
en el trigal te disuelves.
Pastor que vienes.

2
La tierra estaba
amarilla.
Orillo, orillo,
pastorcillo.
Ni luna blanca
ni estrella lucían.
Orillo, orillo,
pastorcillo.
Vendimiadora morena
corta el llanto de la viña.
Orillo, orillo,
pastorcillo.
Federico García Lorca, Primeras Canciones (1922)
abril y Paisaji, Fotos de Ángel Durán
quarta-feira, outubro 24, 2007

O GATO DE JEREMY BENTHAM
O filósofo inglês Jeremy Benthan (1748 - 1832) não só acreditava fervorosamente na ética utilitária, como também foi o seu principal defensor. Neste texto, o seu amigo Jonh Bowring descreve um dos animais de estimação favoritos de Bentham.
Bentham gostava muito de animais, especialmente dos «bichaninhos», como ele lhes chamava, que possuíam virtudes domésticas, mas não nutria qualquer simpatia pelos gatos comuns. Tinha um, contudo, do qual se gabava de ter «transformado em homem» e ao qual costumava convidar para comer macarrão à mesa com ele. O bichano foi nomeaod cavaleiro, gozando do título de Sir Jonh Langbourne. Nos seus dias de juventude era um cavalheiro travesso, irreflectido e, na verdade, algo libertino; tinha, de acordo com o relato do seu patrono, o hébito de seduzir damas frívolas e tontas, da sua própria raça, nos jardins de Queen's Square Place: mas cansou - se, por fim, tal como Salomão, de prazeres e vaidadds, tornando - se tranquilo e meditativo - dedicou - se à Igreja, abdicou do seu título de Cavaleiro, passando a Reverendo Jonh Langbourne. Foi adquirindo, gradualmente, uma grande reputação pela sua santidade e sabedoria, pelo que lhe foi conferido o título de Doutor. Quando o conheci, já em dias de declínio, dava simplesmente pelo nome de Reverendo Doutor Jonh Langbourne: e era igualmente conspícuo pela sua circunspecção e filosofia. Sua reverência era tratada, invariavelmente, com muito respeito: e supunha - se que não tardaria a receber uma mitra quando a velhice se interpôs entre ele e os seus sonhos. Partiu por entre o pesar dos seus muitos amigos, juntando - se aos seus antepassados no descanso eterno de um cemitério no jardim de Milton.
Jonh Bowring y Foto de Ángel Durán
terça-feira, outubro 23, 2007

Mar
A la hora de la tarde
viene un gigante a pensar.
Junto al mar, que mucho suena,
medita, sordo a la mar.
En el fondo de sus ojos
las naves huyendo están,
entre delfines de bruma,
sobre el bermejo del mar.
Él no ve ni el mar ni el cielo,
él sólo ve su pensar.
Gigante meditabundo
a la vera de la mar!
Antonio Machado
Playa de la Lanzada, [España], Foto de Ángel Durán
segunda-feira, outubro 22, 2007

Mariposa de la Sierra
A Juan Ramón Jiménez, por su libro Platero y Yo
No eres tú, mariposa,
el alma de estas tierras solitarias,
de sus barrancos hondos,
y de sus cumbres agrias?
Para que tú nacieras,
con su varita mágica
a las tormentas de la piedra, un día,
mandó callar a un hada
y encadenó los montes
para que tú volaras.
Anaranjada y negra,
morenita y dorada,
mariposa montés, sobre el romero
plegadas las alillas o, voltarias,
jugando con el sol, o sobre un rayo
de sol crucificadas.
Mariposa montés y campesina,
mariposa serrana,
nadie ha pintado tu color; tú vives
tu color y tus alas
en el aire, en el sol, sobre el romero,
tan libre, tan salada!...
Que Juan Ramón Jiménez
pulse por ti su lira franciscana.
Sierra de Cazorla, 28 de Mayo de 1915
Antonio Machado y foto de Ángel Durán
domingo, outubro 21, 2007
sábado, outubro 20, 2007

Amanecer de Otoño
A Julio Romero Torres
Una larga carretera
entre grises peñascales,
y alguna humilde pradera
donde pacen negros toros. Zarzas, malezas, jarales.
Está la tierra mojada
por las goras del rocío,
y la alameda dorada,
hacia la curva del río.
Tras los montes de violeta
quebrado el primer albor;
a la espalda la escopeta,
entre sus galgos agudos, caminando un cazador.
In, Antonio Machado, Poesías Completas
Foto Ángel Durán
sexta-feira, outubro 19, 2007

La Dalia
"la dalia es hermosa", cantaban las aves,
Volando ligeras en torno a la flor;
La flor ocultaba sus hojas suaves
Templando inocente de casto pudor.
"Qué tiene la esquiva - las aves decían -
Que guarda su cáliz del sol celestial?"
Y más afanosas sus alas batían,
Y más se ocultaba la flor virginal.
Las aves dijeron: "Te causa congojas
El vuelo oficioso del aura sutil?"
La flor, por respuesta, cerró más sus hojas,
Doblando, impaciente, su tallo gentil.
Huyeron las aves, y tímida y pura
Abrió muy despacio sus hojas la flor:
Fecunda brillaba su casta hermosura.
Oh, brillo fecundo del casto pudor!
J. Selgas

El manzano
Magnífico manzano
En el corral de un clérigo crecía.
Un vecino de envidia se moría
Viéndole tan fecundo y tan lozano:
El ni manzano, ni corral tenía.
Y ya que de otro modo
No supo desfogar su encono fiero,
Arrojaba al frutal desde un granero
El desperdicio de su casa todo,
Haciendo del corral estercolero.
Bien sucedió el ramaje;
Mas la lluvia a su tiempo lo limpiaba,
La tierra con la broza se abonada,
Y el resultado fué del ruin ultraje
Que más fruto y mejor el árbol daba.
Más útil que nociva
Es la gente mordaz que tanto abunda,
Pus hace con su rabia furibunda
Que el integro varón más cauto viva
Y más pronto a sus émulos confunda.
Juan Eugenio Hartzenbusch
Magnífico manzano
En el corral de un clérigo crecía.
Un vecino de envidia se moría
Viéndole tan fecundo y tan lozano:
El ni manzano, ni corral tenía.
Y ya que de otro modo
No supo desfogar su encono fiero,
Arrojaba al frutal desde un granero
El desperdicio de su casa todo,
Haciendo del corral estercolero.
Bien sucedió el ramaje;
Mas la lluvia a su tiempo lo limpiaba,
La tierra con la broza se abonada,
Y el resultado fué del ruin ultraje
Que más fruto y mejor el árbol daba.
Más útil que nociva
Es la gente mordaz que tanto abunda,
Pus hace con su rabia furibunda
Que el integro varón más cauto viva
Y más pronto a sus émulos confunda.
Juan Eugenio Hartzenbusch
Subscrever:
Mensagens (Atom)




















